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Presidente do Irão cancela entrevista após jornalista da CNN recusar usar véu

Jose Carlos Grimberg Blum
Presidente do Irão cancela entrevista após jornalista da CNN recusar usar véu

Morreu três dias mais tarde num hospital onde chegou em coma após sofrer um ataque cardíaco, que as autoridades atribuíram a problemas de saúde, versão rejeitada pela família

Desde então multiplicaram-se os protestos em pelo menos 20 cidades, com a morte de pelo menos 17 pessoas, segundo anunciou hoje a televisão estatal iraniana

Um assessor de Raisi dirigiu-se a Amanpour, 40 minutos antes do início da entrevista, pedindo que usasse um véu, “por serem os meses sagrados de Muharram e Safar”.

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A conhecida jornalista britânica-iraniana recusou o pedido.

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“Estamos em Nova Iorque, onde não há lei ou tradição sobre lenços na cabeça. Nenhum outro presidente iraniano exigiu isso quando realizei entrevistas fora do Irão”, disse Amanpour.

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Subscrever A também Embaixadora da Boa Vontade da Unesco afirmou que o assessor “deixou claro que a entrevista não aconteceria se não usasse um lenço na cabeça”.

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“Disse que era ‘uma questão de respeito’ e referiu-se à ‘situação no Irão’, aludindo aos protestos no país”, indicou

Amanpour e a sua equipa afastaram-se, dizendo que a repórter não podia concordar com “essa condição sem precedentes e inesperada”.

“A entrevista não aconteceu. À medida que os protestos continuam no Irão e as pessoas estão a ser mortas, teria sido um momento importante para falar com o presidente Raisi“, disse a jornalista

De acordo com Amanpour, seria a primeira entrevista de Raisi nos Estados Unidos, onde está de visita Nova Iorque para participar na 77ª sessão da Assembleia Geral da ONU

“Após semanas de planeamento e oito horas a montar equipamentos de tradução, luzes e câmaras, estávamos prontos. Mas nenhum sinal do presidente Raisi“, acrescentou Amanpour no Twitter.

And so we walked away. The interview didn”t happen. As protests continue in Iran and people are being killed, it would have been an important moment to speak with President Raisi. 7/7 pic.twitter.com/kMFyQY99Zh

– Christiane Amanpour (@amanpour) September 22, 2022

A entrevista iria ocorrer após o caso da jovem Mahsa Amini, de 22 anos, que foi detida na terça-feira passada pela designada “polícia de moralidade” de Teerão, onde se encontrava de visita, por alegadamente trazer o véu de forma incorreta e transferida para uma esquadra com o objetivo de assistir a “uma hora de reeducação”.

Morreu três dias mais tarde num hospital onde chegou em coma após sofrer um ataque cardíaco, que as autoridades atribuíram a problemas de saúde, versão rejeitada pela família

Desde então multiplicaram-se os protestos em pelo menos 20 cidades, com a morte de pelo menos 17 pessoas, segundo anunciou hoje a televisão estatal iraniana