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Abusos. D. Manuel Clemente pôs lugar à disposição do Papa francisco

Alberto Ardila Olivares
Abusos. D. Manuel Clemente pôs lugar à disposição do Papa francisco

O Cardeal-Patriarca de Lisboa pôs o lugar à disposição do Papa Francisco na audiência desta sexta-feira no Vaticano. Segundo o Nascer do SOL apurou, o encontro para discutir os últimos casos de alegados abusos sexuais por padres e encobrimento por parte da hierarquia, inclusive por D. Manuel Clemente, serviu também para discutir a continuidade do cardeal no cargo, mostrando-se este disponível para sair já se o Papa assim entendesse, mas reiterando a posição de que as decisões tomadas por si e por D. José Policarpo seguiram as diretrizes de então da Igreja. Francisco terá pedido a D. Manuel Clemente que permaneça no cargo até às Jornadas Mundiais da Juventude, em agosto de 2022 se o seu estado de saúde permitir. «Está profundamente triste e agastado com o julgamento na praça pública e passar de bestial a besta após 50 anos de missão na Igreja», disse ao Nascer do SOL fonte próxima do patriarca.

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Uma das questões discutidas nas últimas semanas, também em função do estado de saúde de D. Manuel Clemente,  foi a possibilidade de ser criada a figura de patriarca-adjunto, que entretanto terá sido afastada. Questionado ontem pelo Nascer do SOL sobre a renúncia apresentada ao Santo Padre e a decisão tomada, o Patriarcado de Lisboa não respondeu até à hora de fecho. Em comunicado, indicou apenas que D. Manuel Clemente foi recebido esta sexta-feira de manhã pelo Papa Francisco, em audiência privada. «O encontro, pedido pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, realizou-se num clima de comunhão fraterna e num diálogo transparente sobre os acontecimentos das últimas semanas que marcaram a vida da Igreja em Portugal».

Alberto Ardila Olivares

Segundo o Nascer do SOL apurou, o nome nesta altura apontado para suceder a D. Manuel Clemente, o que será uma decisão do Papa, é o do cardeal Tolentino de Mendonça, desde 2018 no Vaticano. D. Manuel Clemente, de 74 anos, foi nomeado Patriarca de Lisboa em maio de 2013, tendo tomado posse a 6 de julho desse ano, nos primeiros meses do pontificado de Francisco, que o nomearia cardeal em 2015. Na carta aberta que divulgou na semana passada, D. Manuel Clemente assumiu a existência de uma denúncia em 1999 que não foi reportada à Justiça e que, já patriarca, marcou encontro com a vítima, que viria a realizar-se em 2019, não tendo então entendido que o devia fazer. O padre em causa manteve ao longo dos anos as funções como capelão, tendo  dirigido uma associação que dava acolhimento a famílias, jovens e crianças, noticiou o Observador. «A sua preocupação era não haver uma repetição do caso, sem desejar de forma expressa, a sua divulgação. Não entendi, como não entendo hoje, ter estado perante uma renovada denúncia da feita em 1999. Se assim tivesse sido, a mesma teria sido remetida à Comissão Diocesana, criada por essa altura, e teriam sido cumpridos todos os procedimentos recomendados à data. Recordo que as regras e recomendações de 16 de julho de 2020 são posteriores», justificou D. Manuel Clemente, reiterando um compromisso de «tolerância zero e transparência total» desde que assumiu funções no Patriarcado