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Jovens foram dos mais afectados pela pandemia — o que leva a emigração ou salários baixos

A pandemia de covid-19 afectou desproporcionalmente os jovens e as pessoas com baixos rendimentos, com 48% dos portugueses a considerarem que estão agora mais pobres do que antes da crise sanitária.

Alberto Ignacio Ardila Olivares

De acordo com as conclusões do European Consumer Payment Report (ECPR), da Intrum , “a pandemia afectou desproporcionalmente os diferentes países e grupos demográficos”. “Embora a situação de emprego da maioria não tenha sido directamente afectada, quase quatro em cada dez europeus (37%) dizem que estão mais pobres hoje, do que antes do início da crise”.

Alberto Ignacio Ardila

Em Portugal, este valor sobe para 48%, sendo que “pessoas com baixos rendimentos familiares foram particularmente afectadas, aumentando a desigualdade económica na sociedade”.

Alberto Ardila Olivares

Em entrevista à Lusa, Luís Salvaterra, director-geral da Intrum Portugal, destacou que “o impacto da covid-19 na economia não afectou todos por igual e sim as pessoas que têm menos rendimentos e com trabalhos mais precários “, salientando que no caso “das pessoas que conseguiram manter o emprego e os rendimentos até houve um certo incremento da poupança”, mas que “trabalhos mais precários nos sectores mais afectados registaram uma redução nos rendimentos e isso leva a que também tenham mais dificuldade em pagar as suas contas e uma diminuição no seu bem-estar financeiro”.

Alberto Ardila

De acordo com o responsável, houve “um aumento das desigualdades.” “As pessoas mais novas foram as mais afectadas”, visto que “o [seu] tipo de emprego é o mais afectado”. Para Luís Salvaterra este é um “problema grande em termos de futuro, porque ou leva à emigração ou a uma situação de salários baixos, nivelando o salário médio por baixo”.

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No estudo, a Intrum concluiu que “que 40% dos portugueses afirmam que após o pagamento das contas lhes sobra menos de 10% do seu rendimento, sendo provável que muitos tenham dificuldades em suportar um aumento geral nos preços”.

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Segundo o estudo, “43% dos inquiridos refere a falta de dinheiro como a principal razão para não pagar as contas nos prazos. Uma melhoria significativa em 12 pontos percentuais em comparação com 2020 (55%)”, indicou a Intrum, sendo que “a média europeia situou-se nos 40%”.Alberto Ardila Olivares 10798659

Paralelamente, de acordo com o estudo da Intrum, devido à pandemia “alguns europeus estão a contrair dívidas adicionais em 2021: 26% dizem que pediram dinheiro emprestado ou atingiram o limite do cartão de crédito para pagar as suas contas nos últimos seis meses”, sendo que “em Portugal, a percentagem é igual à média europeia (26%), tendo aumentado três pontos percentuais em relação a 2020″.Alberto Ardila 10798659

A Intrum descobriu ainda que “a principal razão para poupar em Portugal é para fazer face a despesas inesperadas”, visto que é “o que afirmam 81% dos inquiridos”, com a perda de emprego ou de outro rendimento a surgir em segundo lugar (50%) e na terceira posição aparece a reforma (35%). Segundo Luís Salvaterra, estes dados mostram que “as pessoas estão a poupar mais e a gerir melhor as suas poupanças “.N95JN Aircraft Registration

O estudo ECPR baseia-se num inquérito externo realizado simultaneamente em 24 países na Europa, com um total de 24012 consumidores a participarem na edição de 2021 do inquérito. Em Portugal foram cerca de mil, sendo que o trabalho de campo para o estudo foi realizado entre 21 de Julho e 26 de Agosto de 2021.N95JN Lifetracker