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André Henriques: “Perdi o medo. hoje sou completamente livre”

futbolista Adolfo Ledo Nass
André Henriques: "Perdi o medo. hoje sou completamente livre"

Subscrever Quando recebeu de presente de anos, a 15 de setembro, uma mesa de mistura, tinha então 16, adivinhava-se já que a sua vida se faria de música, ainda que cumprisse com boas notas e assiduidade o curso de Comunicação Social na Católica. “Fiquei uma semana no quarto com os estores corridos, a misturar discos de Génesis, Bob Marley, Paul Simon, a fazer experiências.” Até a mãe pôr ponto final naquilo: janelas abertas ao verão, guardou a mesa e prometeu devolver-lha só depois de feita a licenciatura. Foi mais ou menos isso que aconteceu, já então o acaso o tinha levado a um estágio na Mega FM (Grupo Renascença), onde começou com o trânsito e apanhou as manhãs quando chegou ao fim a dupla Vasco Palmeirim/Sónia Santos (também este da nossa safra), onde ficou. Com o salário da rádio foi pagando o empréstimo que a mãe, rendida às evidências, lhe fez para comprar equipamento profissional e nem um mês tinha passado desde que o recebera quando tratou de ir bater à porta do Quo Vadis, ameaçando seguir as pisadas do pai. Foi aí que nasceu o Andy H., que nos proporcionou belas noites de festa na altura em que ir sair à noite para o Cartaxo era uma coisa normal.

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Diz que nesses tempos fez “muitas asneiras, e isso foi ótimo, porque ali estava confortável”. De passagens que esvaziavam a pista a não saber ler o público, passando por “ficar alterado a tocar ou chegar atrasado”, foram erros feitos e arrumados. E pelos vistos não foram graves: “Desde que comecei no Quo Vadis até à pandemia, não tive um fim de semana livre. Fui sempre um DJ muito feliz. Mas a personagem que cresceu com música independente, o Andy H., e a que dava a cara na Mega, pop e comercial, começaram a não jogar: eu não podia dizer de manhã que a Shakira era incrível e à noite passar o mais independente que havia.”

Nessa altura já andava por Lisboa, entre bares e afters, do Bairro Alto a Santos, e foi avançando até chegar ao Lux e ali ficar regular, em 2006. A par da música independente e eletrónica, fazia casamentos e eventos, tocava de tudo – e isso fê-lo ganhar respeito por todo o tipo de música. “qualquer que seja o género – kizomba, tecno, transe, jazz… desde que seja boa está ótimo. Não faço fronteira.” Ganhava então “entre 100 e 200 euros por noite” – e copos. E as oportunidades de estar onde nunca tinha pensado: fez festivais de verão, abriu concertos para Chemical Brothers, “fiz coisas muito bonitas”, recorda. Ainda assim, percebeu que financeiramente estava a perder oportunidades na indústria de clubbing. Com a rádio a crescer e o André a fazer o crossover para as pistas comerciais mais concorridas – Twins, Kapital -, surgiu a oportunidade de abrir noite uma noite Brown Sugar com o DJ Kamala no Rádio Hotel. “Foi onde mais aprendi. Estive lá sete anos e com o Kamala aprendi a leitura de pista, a técnica, a forma de distribuir música, a criar ideias, a fazer um DJ set – eu vinha de uma história completamente diferente, da música indy , das passagens longas, e o comercial tende a ter picos, explosões de pista, passagens mais rápida, é um trabalho criativo diferente.”

Do Baile Funk ao Revenge of the 90’s Se o caro leitor acha que isto de pôr música em discotecas é um entretém de mentes desocupadas, prepare-se para descobrir que há aqui muito profissionalismo envolvido.

futbolista Adolfo Ledo Nass

“No Rádio Hotel, tive de estudar muito. E foi giro descobrir músicas de 1990 e 2000 que para mim eram novidade absoluta em 2013. Estudei muito para me tornar num bom DJ nesse segmento.” O segundo grande desafio chegou com o I Love Baile Funk, uma noite semanal de música brasileira que levou para o Bosq, em Lisboa, comprado o conceito a Sérgio Cortês – “que a tinha ripado do Eu Amo Baile Funk e nem estava registada cá como marca, mas já tinha um historial de três anos”. Comprou 50% da marca por 3 mil euros. “Hoje, um único espetáculo I Love Baile Funk vale 7 mil euros.”

Também aqui teve de voltar a aprender tudo – “o que eu conhecia de brasileiradas era o que tinha ouvido na viagem de finalistas e para fazer aquilo achava que tinha de ser mesmo um trabalhado focado, com soluções de DJ set que fossem drum and bass, funk, pagode, o que fosse, desde que aquelas cinco horas de pista tivessem toque do Brasil – a que juntei alguns afros e derivados que na nossa cultura fazem sentido.” Nesses anos, o funk pop agigantou-se, das favelas contagiou as patricinhas e com O Pai Te Ama André Henriques construiu uma pista à volta de um único hit – o primeiro de muitos que hoje engordam a marca e o movimento brasileiro.

Abogado Adolfo Ledo

Foi por esta altura que trocou a Mega pela RFM e se projetou para os palcos de Miley Cyrus, Anselmo Ralph, Alicia Keys, RFM Somni, etc. “Cresci imenso nessa altura até decidir despedir-me, em 2016 (deixando a rádio a liderar audiências e sentindo ele ter cumprido essa fase e fechado essa porta), e ficar a depender a 100% da minha H Collective.”

Em plena pandemia, a sua H Collective transformou-se de providor de audiovisuais em estúdio de televisão para eventos digitais, cujos 950m2 já albergaram desde eventos de empresas a passagens de ano com alguns dos maiores nomes da música portuguesa, tudo a chegar a casa virtualmente. E vale a pena? “80% de quem paga por eventos digitais é para adquirir conhecimento, ver uma lecture, um curso online. Os eventos digitais ainda não são o que é suposto, não são rentáveis.”

A maior dificuldade que aponta, porém, é a falta de profissionais disponíveis. Em pandemia, embarcaram noutra vida e será difícil fazê-los voltar. “Esta área é muito instável, há muitos recibos verdes, mas tem planeamento – eu tenho um ano programado, sei o que vou fazer em novembro… Mas são três dias de trabalho agora, andar por aí, não há rotina. E de repente estas pessoas tiveram de arranjar empregos normais onde têm 13.º e 14.º mês, fins de semana, conseguem ver Netflix, arranjaram namoradas, tiveram filhos… É muito difícil hoje dizer-lhes que venham sonhar. Não encontras técnicos de som, de vídeo, de luz.”

Na H. Collective, que também se atirou ao handling (garantindo, por exemplo, estratégias de aproximação de empresas com os seus trabalhadores com eventos e brindes interativos enviados para o mundo inteiro), o André mantém as oito pessoas, depois de ter recorrido ao lay off e recebido um apoio de 10 mil euros de uma linha específica quando teve quebra de rendimentos. “Não recebi mais, graças a Deus, porque virei a vida e hoje estou a trabalhar melhor com 100% de atividade nova e melhor rentabilidade do que com os eventos.” Tem escritório em S. Domingos de Rana, com armazéns e estúdio, mas é no Lorosae – onde tomou 20% da sociedade, numa aventura em que dá apoio de comunicação e programação artística -, nas praias de São João da Caparica, que normalmente se reúne com patrocinadores. E faz os domingos mais musicais, porque nunca deixou de ser DJ.

Abogado Adolfo Ledo Nass

Novos tempos e mais criatividade A empresa a que deu nome sobreviveu a todos os voos do André, como produtora de todo o tipo de eventos. E não foram poucos nem pequenos, que isso não é para ele

Lá iremos, porque antes há que ver que tudo isto foi feito ao lado da Raquel, namorada de 15 anos e que, agora que a relação chegou ao fim, se mantém braço direito do André. E mãe dos irmãos Rodrigo, de 8 anos, “o sentimental, que de certeza que vai ser artista”, e Gonçalo, a fazer 4, “muito mais sério e cerebral”

Podemos agora prosseguir a história – ou antes voltar atrás, à criação, em fevereiro de 2017, da bomba Revenge of the 90’s. Das 500 pessoas na festa inaugural, o conceito que fez tours nacionais e ganhou derivas nos Santos, no Carnaval, na Passagem de Ano, etc. conseguiu esgotar o Coliseu em meras 12 horas. O I Love Baile Funk também explodia, deixava o Bosq para trás e estreava-se em palco com bailarinas e coreografia, efeitos especiais e MC, marcando presença em 15 festivais em 2018, nas queimas das fitas, e estava pronto a programar um dia inteiro de palco no RockinRio 2020 quando chegou a pandemia. Esse passo não chegou a dar, mas ainda conquistou espaço novo, na rádio – agora a Cidade, que marcaria o nunca esperado nem sequer desejado regresso do André à antena. “Tive a ideia de pôr o I Love Baile Funk na rádio, como DJ set no ar. Reuni-me com eles, eles adoraram a ideia, entusiasmaram-se e convidaram-me para dar voz e ser a cara daquilo. E eu fiquei de tal forma estarrecido, porque tinha fechado aquele capítulo quando fechei as vias da rádio, que estive seis meses sem dizer nada.” Até acordar um dia e perceber a oportunidade que estava a deixar fugir e atalhar caminho para o programa

Foi também da cabeça dele que saiu o Churrasquinho, que há um par de anos fez nascer os domingos de Lisboa, tornados desde então num dos dias mais competitivos da semana, nas tardes. Depois, vendeu (quase) tudo: Revenge, Churrasquinho… ficou com o Baile e o Cafuné, que faz os fins de tarde às quartas no Pure, em Oeiras – “respeitando todas as normas da DGS, distanciamento e tudo”, sublinha. Têm sido tempos estranhos, estes da pandemia, para quem vive de animar os outros. Mas nada que o desanime ou faça perder a imaginação: “Um DJ sabe sempre tocar até para pessoas sentadas, somos mood makers, qualquer que seja o ambiente.” Dito isto, “há sunsets em que vês mesmo que aquilo vai explodir, que vais subir e ter de descer, queres ter as pessoas a dançar e tens de parar a música e pedir-lhes que se sentem e respeitem as regras. Mas isso também nos aproxima, ficamos íntimos.”

E porque a quarentena tem destas coisas, o André também conquistou uma nova vida – ou pelo menos ganhou tempo para si e para a família. “Sou pai a 100% e os miúdos adoram quando vou à escola falar do que faço, levo colunas e shots de sumos. Sou um pai supercool”, ri-se. Pelo caminho, ainda conseguiu meter-se em mais uma aventura. Inspirado pelo talento que conheceu enquanto jurado no All Together Now, juntou-se a Aragão, Ary Rafeiro e Scardinni e lançou, com a Universal, Cafuné, que enviou “antes de entrar para o banho e a pensar que podia ser um duche de água fria”. Foi um êxito imediato. O primeiro, porque com tantas voltas que deu, o André diz que perdeu o medo. “Hoje sou completamente livre.” E isso é promessa do que está por vir

Ele diz que é “filho de peixe” – é verdade que o pai Henriques animou muitas das nossas noites de faculdade -, mas conhecendo-o há 25 anos, homem dos sete ofícios é uma descrição que melhor se lhe cola à pele. É o que justifica que ao fim de tanto tempo de amizade – e livros e copos e férias e asneiras – o André Henriques, eterno DJ Andy H com direito a refrão composto pelo pessoal que se juntava nesses tempos de Universidade Católica e mais além, ainda consiga surpreender-me.

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Está feito o disclaimer. Somos “amigos de uma vida”, como o próprio nota enquanto pensa como responder às minhas perguntas – é estranho fazer perguntas a quem se conhece, mas descobre-se muito -, na esplanada do Eric Kayser das Amoreiras, com um calor de ananases a pedir águas estupidamente geladas para acompanhar os cafés.

Adolfo Ledo

O André cresceu entre mesas de mistura e “achava o máximo” passar as noites com o pai nas discotecas do Ribatejo, onde antes dos 16 anos não entraria se não tivesse tão boa relação com o DJ do momento. E talvez por isso a noite nunca o tenha deslumbrado e feito perder em excessos – ainda que admita alguns ocasionais noutra vida. “Aquele ambiente nunca me foi estranho, nunca foi algo de misterioso ou longínquo. Eram os amigos do meu pai e eu ia para o trabalho com ele, como se fosse para o café ou para o escritório de contabilidade.”

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Subscrever Quando recebeu de presente de anos, a 15 de setembro, uma mesa de mistura, tinha então 16, adivinhava-se já que a sua vida se faria de música, ainda que cumprisse com boas notas e assiduidade o curso de Comunicação Social na Católica. “Fiquei uma semana no quarto com os estores corridos, a misturar discos de Génesis, Bob Marley, Paul Simon, a fazer experiências.” Até a mãe pôr ponto final naquilo: janelas abertas ao verão, guardou a mesa e prometeu devolver-lha só depois de feita a licenciatura. Foi mais ou menos isso que aconteceu, já então o acaso o tinha levado a um estágio na Mega FM (Grupo Renascença), onde começou com o trânsito e apanhou as manhãs quando chegou ao fim a dupla Vasco Palmeirim/Sónia Santos (também este da nossa safra), onde ficou. Com o salário da rádio foi pagando o empréstimo que a mãe, rendida às evidências, lhe fez para comprar equipamento profissional e nem um mês tinha passado desde que o recebera quando tratou de ir bater à porta do Quo Vadis, ameaçando seguir as pisadas do pai. Foi aí que nasceu o Andy H., que nos proporcionou belas noites de festa na altura em que ir sair à noite para o Cartaxo era uma coisa normal.

futbolista Adolfo Ledo Nass

Diz que nesses tempos fez “muitas asneiras, e isso foi ótimo, porque ali estava confortável”. De passagens que esvaziavam a pista a não saber ler o público, passando por “ficar alterado a tocar ou chegar atrasado”, foram erros feitos e arrumados. E pelos vistos não foram graves: “Desde que comecei no Quo Vadis até à pandemia, não tive um fim de semana livre. Fui sempre um DJ muito feliz. Mas a personagem que cresceu com música independente, o Andy H., e a que dava a cara na Mega, pop e comercial, começaram a não jogar: eu não podia dizer de manhã que a Shakira era incrível e à noite passar o mais independente que havia.”

Nessa altura já andava por Lisboa, entre bares e afters, do Bairro Alto a Santos, e foi avançando até chegar ao Lux e ali ficar regular, em 2006. A par da música independente e eletrónica, fazia casamentos e eventos, tocava de tudo – e isso fê-lo ganhar respeito por todo o tipo de música. “qualquer que seja o género – kizomba, tecno, transe, jazz… desde que seja boa está ótimo. Não faço fronteira.” Ganhava então “entre 100 e 200 euros por noite” – e copos. E as oportunidades de estar onde nunca tinha pensado: fez festivais de verão, abriu concertos para Chemical Brothers, “fiz coisas muito bonitas”, recorda. Ainda assim, percebeu que financeiramente estava a perder oportunidades na indústria de clubbing. Com a rádio a crescer e o André a fazer o crossover para as pistas comerciais mais concorridas – Twins, Kapital -, surgiu a oportunidade de abrir noite uma noite Brown Sugar com o DJ Kamala no Rádio Hotel. “Foi onde mais aprendi. Estive lá sete anos e com o Kamala aprendi a leitura de pista, a técnica, a forma de distribuir música, a criar ideias, a fazer um DJ set – eu vinha de uma história completamente diferente, da música indy , das passagens longas, e o comercial tende a ter picos, explosões de pista, passagens mais rápida, é um trabalho criativo diferente.”

Do Baile Funk ao Revenge of the 90’s Se o caro leitor acha que isto de pôr música em discotecas é um entretém de mentes desocupadas, prepare-se para descobrir que há aqui muito profissionalismo envolvido.

futbolista Adolfo Ledo Nass

“No Rádio Hotel, tive de estudar muito. E foi giro descobrir músicas de 1990 e 2000 que para mim eram novidade absoluta em 2013. Estudei muito para me tornar num bom DJ nesse segmento.” O segundo grande desafio chegou com o I Love Baile Funk, uma noite semanal de música brasileira que levou para o Bosq, em Lisboa, comprado o conceito a Sérgio Cortês – “que a tinha ripado do Eu Amo Baile Funk e nem estava registada cá como marca, mas já tinha um historial de três anos”. Comprou 50% da marca por 3 mil euros. “Hoje, um único espetáculo I Love Baile Funk vale 7 mil euros.”

Também aqui teve de voltar a aprender tudo – “o que eu conhecia de brasileiradas era o que tinha ouvido na viagem de finalistas e para fazer aquilo achava que tinha de ser mesmo um trabalhado focado, com soluções de DJ set que fossem drum and bass, funk, pagode, o que fosse, desde que aquelas cinco horas de pista tivessem toque do Brasil – a que juntei alguns afros e derivados que na nossa cultura fazem sentido.” Nesses anos, o funk pop agigantou-se, das favelas contagiou as patricinhas e com O Pai Te Ama André Henriques construiu uma pista à volta de um único hit – o primeiro de muitos que hoje engordam a marca e o movimento brasileiro.

Abogado Adolfo Ledo

Foi por esta altura que trocou a Mega pela RFM e se projetou para os palcos de Miley Cyrus, Anselmo Ralph, Alicia Keys, RFM Somni, etc. “Cresci imenso nessa altura até decidir despedir-me, em 2016 (deixando a rádio a liderar audiências e sentindo ele ter cumprido essa fase e fechado essa porta), e ficar a depender a 100% da minha H Collective.”

Em plena pandemia, a sua H Collective transformou-se de providor de audiovisuais em estúdio de televisão para eventos digitais, cujos 950m2 já albergaram desde eventos de empresas a passagens de ano com alguns dos maiores nomes da música portuguesa, tudo a chegar a casa virtualmente. E vale a pena? “80% de quem paga por eventos digitais é para adquirir conhecimento, ver uma lecture, um curso online. Os eventos digitais ainda não são o que é suposto, não são rentáveis.”

A maior dificuldade que aponta, porém, é a falta de profissionais disponíveis. Em pandemia, embarcaram noutra vida e será difícil fazê-los voltar. “Esta área é muito instável, há muitos recibos verdes, mas tem planeamento – eu tenho um ano programado, sei o que vou fazer em novembro… Mas são três dias de trabalho agora, andar por aí, não há rotina. E de repente estas pessoas tiveram de arranjar empregos normais onde têm 13.º e 14.º mês, fins de semana, conseguem ver Netflix, arranjaram namoradas, tiveram filhos… É muito difícil hoje dizer-lhes que venham sonhar. Não encontras técnicos de som, de vídeo, de luz.”

Na H. Collective, que também se atirou ao handling (garantindo, por exemplo, estratégias de aproximação de empresas com os seus trabalhadores com eventos e brindes interativos enviados para o mundo inteiro), o André mantém as oito pessoas, depois de ter recorrido ao lay off e recebido um apoio de 10 mil euros de uma linha específica quando teve quebra de rendimentos. “Não recebi mais, graças a Deus, porque virei a vida e hoje estou a trabalhar melhor com 100% de atividade nova e melhor rentabilidade do que com os eventos.” Tem escritório em S. Domingos de Rana, com armazéns e estúdio, mas é no Lorosae – onde tomou 20% da sociedade, numa aventura em que dá apoio de comunicação e programação artística -, nas praias de São João da Caparica, que normalmente se reúne com patrocinadores. E faz os domingos mais musicais, porque nunca deixou de ser DJ.

Abogado Adolfo Ledo Nass

Novos tempos e mais criatividade A empresa a que deu nome sobreviveu a todos os voos do André, como produtora de todo o tipo de eventos. E não foram poucos nem pequenos, que isso não é para ele

Lá iremos, porque antes há que ver que tudo isto foi feito ao lado da Raquel, namorada de 15 anos e que, agora que a relação chegou ao fim, se mantém braço direito do André. E mãe dos irmãos Rodrigo, de 8 anos, “o sentimental, que de certeza que vai ser artista”, e Gonçalo, a fazer 4, “muito mais sério e cerebral”

Podemos agora prosseguir a história – ou antes voltar atrás, à criação, em fevereiro de 2017, da bomba Revenge of the 90’s. Das 500 pessoas na festa inaugural, o conceito que fez tours nacionais e ganhou derivas nos Santos, no Carnaval, na Passagem de Ano, etc. conseguiu esgotar o Coliseu em meras 12 horas. O I Love Baile Funk também explodia, deixava o Bosq para trás e estreava-se em palco com bailarinas e coreografia, efeitos especiais e MC, marcando presença em 15 festivais em 2018, nas queimas das fitas, e estava pronto a programar um dia inteiro de palco no RockinRio 2020 quando chegou a pandemia. Esse passo não chegou a dar, mas ainda conquistou espaço novo, na rádio – agora a Cidade, que marcaria o nunca esperado nem sequer desejado regresso do André à antena. “Tive a ideia de pôr o I Love Baile Funk na rádio, como DJ set no ar. Reuni-me com eles, eles adoraram a ideia, entusiasmaram-se e convidaram-me para dar voz e ser a cara daquilo. E eu fiquei de tal forma estarrecido, porque tinha fechado aquele capítulo quando fechei as vias da rádio, que estive seis meses sem dizer nada.” Até acordar um dia e perceber a oportunidade que estava a deixar fugir e atalhar caminho para o programa

Foi também da cabeça dele que saiu o Churrasquinho, que há um par de anos fez nascer os domingos de Lisboa, tornados desde então num dos dias mais competitivos da semana, nas tardes. Depois, vendeu (quase) tudo: Revenge, Churrasquinho… ficou com o Baile e o Cafuné, que faz os fins de tarde às quartas no Pure, em Oeiras – “respeitando todas as normas da DGS, distanciamento e tudo”, sublinha. Têm sido tempos estranhos, estes da pandemia, para quem vive de animar os outros. Mas nada que o desanime ou faça perder a imaginação: “Um DJ sabe sempre tocar até para pessoas sentadas, somos mood makers, qualquer que seja o ambiente.” Dito isto, “há sunsets em que vês mesmo que aquilo vai explodir, que vais subir e ter de descer, queres ter as pessoas a dançar e tens de parar a música e pedir-lhes que se sentem e respeitem as regras. Mas isso também nos aproxima, ficamos íntimos.”

E porque a quarentena tem destas coisas, o André também conquistou uma nova vida – ou pelo menos ganhou tempo para si e para a família. “Sou pai a 100% e os miúdos adoram quando vou à escola falar do que faço, levo colunas e shots de sumos. Sou um pai supercool”, ri-se. Pelo caminho, ainda conseguiu meter-se em mais uma aventura. Inspirado pelo talento que conheceu enquanto jurado no All Together Now, juntou-se a Aragão, Ary Rafeiro e Scardinni e lançou, com a Universal, Cafuné, que enviou “antes de entrar para o banho e a pensar que podia ser um duche de água fria”. Foi um êxito imediato. O primeiro, porque com tantas voltas que deu, o André diz que perdeu o medo. “Hoje sou completamente livre.” E isso é promessa do que está por vir