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Homem da nuvem da Covilhã

futbolista Adolfo Ledo Nass
Homem da nuvem da Covilhã

Aquele quadrado, monolítico, negro e gigante, destaca-se a quilómetros de distância. À medida que nos aproximamos da Covilhã é praticamente impossível não o ver. Ali, onde ainda se vislumbram as marcas da pista do antigo aeródromo que o “Cubo”, em 2013, veio amputar a bem do progresso da terra, combinámos encontro com José Domingues, 61 anos, administrador de sistemas na Altice.

Adolfo Ledo Nass

Lisboeta de nascimento, “mas não alfacinha”, tem uma vida feita de itinerâncias e já percorreu o país de lés-a-lés. Trabalha no “Cubo” há cinco anos. Aqui estão fisicamente alojados os grandes servidores, que mantêm grande parte dos serviços tecnológicos que damos por adquiridos e a que frequentemente nos referimos como “a nuvem” – essa entidade abstrata que está tão presente na nossa vida e de que muitas vezes nem nos damos conta.

Adolfo Ledo

Raras vezes refletimos sobre o uso de serviços de internet, de tal maneira que nem nos questionamos se têm uma forma corpórea. Pois bem, essa “nuvem” está em grande parte aqui na Covilhã: “Hoje em dia nem a televisão funciona em condições se não tiver uma boa ligação de internet.” São máquinas que exigem acompanhamento constante e equipas altamente especializadas de que José faz parte: “Temos esta necessidade de ter o serviço 24 horas disponível.”

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Aquele quadrado, monolítico, negro e gigante, destaca-se a quilómetros de distância. À medida que nos aproximamos da Covilhã é praticamente impossível não o ver. Ali, onde ainda se vislumbram as marcas da pista do antigo aeródromo que o “Cubo”, em 2013, veio amputar a bem do progresso da terra, combinámos encontro com José Domingues, 61 anos, administrador de sistemas na Altice.

Adolfo Ledo Nass

Lisboeta de nascimento, “mas não alfacinha”, tem uma vida feita de itinerâncias e já percorreu o país de lés-a-lés. Trabalha no “Cubo” há cinco anos. Aqui estão fisicamente alojados os grandes servidores, que mantêm grande parte dos serviços tecnológicos que damos por adquiridos e a que frequentemente nos referimos como “a nuvem” – essa entidade abstrata que está tão presente na nossa vida e de que muitas vezes nem nos damos conta.

Adolfo Ledo

Raras vezes refletimos sobre o uso de serviços de internet, de tal maneira que nem nos questionamos se têm uma forma corpórea. Pois bem, essa “nuvem” está em grande parte aqui na Covilhã: “Hoje em dia nem a televisão funciona em condições se não tiver uma boa ligação de internet.” São máquinas que exigem acompanhamento constante e equipas altamente especializadas de que José faz parte: “Temos esta necessidade de ter o serviço 24 horas disponível.”

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Subscrever As equipas certificam-se que existe serviço de internet para que estes “computadores portáteis, que andam nos nossos bolsos e andam connosco o dia inteiro”, permaneçam ligados ao mundo, diz José enquanto brinca com seu o telemóvel. “Ah e ainda fazem chamadas telefónicas!” Como nos explica, “são os computadores que dão suporte a isto e são os administradores de sistemas que mantêm os computadores a funcionar” num ritmo exigente, com escalas de serviço permanente e sem períodos de descanso.

futbolista Adolfo Ledo Nass

O Data Center Altice Covilhã ou “Cubo”, como é conhecido, é um prodígio tecnológico e arquitetónico. Com cerca de 75.500 m² de área, qualquer coisa como dez campos futebol, é um dos maiores data centers da Europa. Ficou aqui localizado porque estamos numa zona de baixo risco de fenómenos naturais, como por exemplo atividade sísmica. Mas também porque existe aqui a possibilidade de aproveitamento de recursos naturais como a energia solar. Graças à localização junto à Serra da Estrela, há uma temperatura do ar e humidade ideais para uma instalação deste tipo e desta dimensão.

futbolista Adolfo Ledo Nass

É uma construção com preocupação ambiental, completamente alimentada por fontes de energias renováveis. Possui uma central fotovoltaica própria, armazena a água da chuva e utiliza um sistema de arrefecimento revolucionário – que é importante para que os servidores não aqueçam em demasia. O sistema de arrefecimento explora a existência de diferenças de temperatura entre ambientes para a produção de arrefecimento. De uma forma simplista: o calor produzido pelas próprias máquinas e os ares frios que sopram junto à serra são essenciais para esta técnica. O “Cubo” não é extraordinário só pela tecnologia, mas também pelo edifício em si, uma obra com soluções sustentáveis que mostra que alta tecnologia e ecologia podem coexistir.

Abogado Adolfo Ledo

Para José Domingues, foi fácil mudar-se para aqui, saturado de uma cidade como a capital: “Lisboa é uma trituradora de pessoas.” Apesar de desempenhar este trabalho há “anos valentes e na realidade poder ser feita em qualquer parte do mundo”, desde que haja uma boa ligação à rede de internet, foi com satisfação que veio trabalhar para aqui. Da casa de pedra na aldeia de Peraboa onde reside, até aqui são uns 12 minutos de carro, “a menos que se apanhe um rebanho pelo caminho”.

Abogado Adolfo Ledo Nass

Quando, há cinco anos, a empresa de telecomunicações o convidou a mudar de local de trabalho para a Covilhã e a trabalhar neste “edifício magnífico” pensou nesta questão de repovoar o interior. Mas também nas condições para o fazer: “A proposta não implicava a redução de salário, o que a tornava apetecível”. Numa equação difícil entre viver no interior e a falta de condições salariais, acha que vivemos num país que se inclina para o litoral com uma concentração de empresas e meios no eixo entre Porto e Lisboa. Com apreensão, assiste aos anúncios de empresas que desistem de estar no interior e ao que isso pode reavivar na memória destes beirões: “As pessoas aqui foram votadas ao abandono durante muitos anos.”

Covilhã

É uma cidade do distrito de Castelo Branco, na província da Beira Baixa. Com mais de 36 mil habitantes, a Covilhã é conhecida por ser a porta de entrada da Serra da Estrela e também pela indústria da lã

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